O RELACIONAMENTO CONJUGAL

Não há nada mais belo do que a intimidade do casal quando há amor e respeito. Quando cada um dá a sua vida pelo outro, e há um entendimento entre, eles. Isto é maior do que as próprias palavras. Quando existe confiança íntima se refletindo em todas as outras áreas da vida, isso produz uma profunda harmonia. Uma relação assim fortalece e prepara o casal para enfrentar as lutas da vida, porque forma em cada um o vigor, ânimo e fé que os fazem se sentir quase invencíveis.

Mas também podemos dizer o quanto e horrível a intimidade conjugal, quando a relação se deteriora. Quando a doçura se torna em amargura e a devoção em abuso e egoísmo; quando a estima e trocada pelo menosprezo; quando os sonhos se convertem em pesadelos e a convivência se torna insuportável.

Para considerar este tema, veremos dois aspectos:

1 — A HARMONIA NO CASAMENTO e 2 — A UNIÃO SEXUAL.

Cremos de todo coração que nas escrituras encontramos a orientação para vivermos uma vida matrimonial feliz e termos um lar cheio de amor e paz.

 

A. A harmonia no casamento

Nossa sociedade exagerou tanto o valor do amor romântico, erótico e sentimental, que muitos, depois de se casarem, se decepcionam quando descobrem que o casamento não é uma continua lua-de-mel. Devemos considerar que:

 

1. Considerações Importantes

1.1. É necessário trabalho e dedicação. Um casamento feliz não surge do nada, por magia, como nos sonhos ou nos filmes. É necessário dedicação e sabedoria, que se adquire com a experiência e dependência de Deus. Também é necessário um caráter maduro, respeito e compreensão mútua. Nada disso se consegue facilmente, mas é plenamente possível para um casamento fundamentado na palavra de Deus. Devemos edificar o casamento com fé e estar atentos às dificuldades que surgem.

 

1.2. Problemas e dificuldades sempre existirão. Isso é normal, porque somos humanos e falhamos. Nenhum casamento é perfeito no seu início. É importante ter este entendimento, para que ninguém se assuste quando as dificuldades surgirem e para que haja fé e solução. Podem surgir diferenças quanto ao uso do dinheiro, reações diferentes diante das várias situações da vida, gostos sobre a comida, hábitos, horários, maneira de vestir, educação dos filhos, disciplina, etc.

 

2. Problemas e Soluções do Relacionamento

2.1. Existem reações que são inúteis:

  • Fugir do problema. Supor que se resolverá sozinho. A covardia não resolve nada.
  • Isolar-se. Deter a comunicação. Levantar uma barreira de silêncio. Sem diálogo é impossível chegar a qualquer solução.
  • Irar-se. A intenção é assustar ou intimidar o outro. É esconder-se atrás das emoções quando confrontado com as próprias faltas. Responder “jogando na cara” do outro as faltas dele(a).
  • Deprimir-se ou ter um ataque de nervos. Dar-se por vencido (a). A intenção é provocar a compaixão para ter mais atenção e consolo, fugindo do problema real.

 

2.2. Há uma conduta correta para resolver os problemas.

  • Entender e afirmar que todo o problema tem solução. Não ser pessimista nem derrotista (João 14.1; 16.33; Filipenses 4.11-13).
  • Enfrentar todo problema com calma e fé. Num ambiente de nervosismo não se pode ser ousado. É necessário ser objetivo, olhar a situação do ponto de vista do outro e reconhecer as próprias faltas (I Coríntios 13.4-7; Hebreus 11.6).
  • Levar a carga ao Senhor. Sem Deus, nenhuma solução é permanente. É necessário buscá-lo em oração, com ações de graça. Aplicar seus mandamentos e reclamar suas promessas. Ele tem todo o poder e sabedoria e nos ama profundamente.
  • Tratar um problema de cada vez. Algumas questões são complicadas e podem gerar outras. Não se pode resolver tudo ao mesmo tempo. É melhor analisar cada situação e determinar por onde se vai começar. Ser pacientes e aguardar os resultados, porque muitas vezes a solução não é imediata (Hebreus 12.1-14).
  • Aprender com experiências anteriores. Isto ajuda a não passar novamente pelos mesmos problemas.
  • Não deixar que se acumulem problemas. Quando vários probleminhas se juntam, transformam-se num “problemão” (Efésios 4.26).
  • Recorrer à ajuda de alguém mais experiente (Provérbios 11.14).
  • A maior responsabilidade é do homem. Deus pedirá contas de todas as coisas ao homem. Ele deve ter uma conduta terna, compassiva, sábia, não caprichosa, porém firme dentro da vontade revelada de Deus. Deve determinar-se a fazer de sua esposa a mulher mais feliz do mundo (Efésios 5.25-29).

A boa solução dos problemas fortalece o casamento. Encontrar juntos as soluções efetivas acrescenta confiança e mostra maturidade.

 

B. A união sexual

Alguns se surpreendem quando descobrem que a Bíblia tem muitas referências à relação sexual. Estão acostumados a escutar conversas torpes ou piadas obscenas que rebaixam essa bela relação. Não percebem que essa é uma área que Deus quer encher de sua santidade e beleza. Alguns até se escandalizam quando se trata desse assunto na igreja, como se fosse um tema impróprio para a vida cristã. Mas não é assim. Nosso compromisso com Cristo inclui todas as áreas de nossa vida. Vejamos, então, o que a Bíblia fala sobre a relação sexual.

1. Deus é o Autor do Sexo

Deus criou o homem e a mulher. Portanto, Ele é o autor do sexo e da relação sexual. Ele determinou as diferenças entre homem e mulher e estabeleceu a atração mútua. Mas reservou a relação sexual como uma experiência unicamente para o casamento.

Para que se cumpra o propósito divino através do ato sexual, é indispensável que haja um compromisso total e uma entrega completa de um para o outro. Isso só e possível dentro do casamento. O fato de duas pessoas se amarem, não lhes dá o direito de manterem relações sexuais. A intimidade sexual contém certos riscos e pode acarretar consequências para as quais somente o casamento oferece garantias e segurança. A Bíblia diz que:

  • Adão e Eva, quando ainda eram inocentes tinham uma intimidade total (Gêneses 2.24-25).
  • Paulo adverte aos solteiros contra a fornicação e aos casados ensina sobre uma relação com santidade e honra, com o desejo de satisfazer um ao outro (I Coríntios 7.2-5; 1 Tessalonicenses 4.3-5; Hebreus 13.4).
  • Temos um belo texto poético em Provérbios, que fala da pureza e das delícias do amor conjugal (Provérbios 5.18-19).
  • Há uma passagem curiosa na lei de Moisés, quanto aos recém casados (Deuteronômio 24.5). Leia!

 

2. O Propósito da Relação Sexual

O propósito de Deus ao instituir a relação sexual divide-se em três aspectos:

  1. SELAR A UNIÃO MATRIMONIAL. A relação sexual é que consuma o casamento.
  2. A PROCRIAÇÃO DA RAÇA. Isto está diretamente relacionado com o sexo, porque é pela relação sexual que nos procriamos. Existem duas atitudes errôneas entre os que ignoram a vontade de Deus:
  • Procurar evitar a procriação por motivos egoístas e,
  • Procriar muitos filhos irresponsavelmente (sem levar em conta os recursos que se tem, nem a saúde da mulher). Ter filhos é uma benção de Deus (Salmo 127.3-5; 1 Timóteo 2.15).
  1. PARA EXPERIMENTAR A MAIS PROFUNDA EXPRESSÃO DE INTIMIDADE, AMOR E FELICIDADE DO CASAL. O ato conjugal, além de físico, envolve o mental, o emocional e o espiritual. Ajuda a superar desacordos, alivia tensões nervosas e contribui para a boa saúde. A relação sexual é uma dádiva de Deus que abençoa o casamento.

 

3. Algumas Normas Importantes

  1. No ato sexual cada um deve procurar a felicidade do outro. Não dar lugar ao egoísmo.
  2. Um não deve negar ao outro a satisfação do desejo sexual, nem tampouco abusar. Há situações de extremo cansaço ou de enfermidade onde deve haver respeito.
  3. A relação não começa na cama. A preparação é durante todo o dia, com uma conduta amorosa e afetiva.
  4. A vida íntima deve ser pura, todos os detalhes devem ser dialogados para não agredir a sensibilidade e o pudor do cônjuge. Entre o casal toda a sensualidade é permitida, mas tudo deve ser feito de comum acordo.

 

C. Até a maturidade

Os que já são casados há bastante tempo compreendem que a felicidade matrimonial não é uma “obra do acaso”. É fruto da dedicação, trabalho, esmero, amor, paciência, disposição de aprender e o firme desejo de superar todas as dificuldades. Para que duas pessoas possam conviver em harmonia e amor, apesar de serem completamente diferentes no caráter e na personalidade, com debilidades e maus hábitos arraigados por anos, é necessário esforço e fé. Deus realizará isto guiando, orientando, guardando, apoiando, corrigindo e abençoando (Filipenses 1.6). Bendito é o Seu nome.

 

Uma relação matrimonial madura e equilibrada, não se consegue da noite para o dia. Todavia se o marido e a mulher se dedicam a buscar entendimento e a fazer as mudanças necessárias, serão recompensados com muitos anos de felicidade. Seu lar brilhará com a graça daquele que prometeu abençoar a todas as famílias da terra (Atos 3.25).

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