AMOR, ARREPENDIMENTO E GRATIDÃO

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AMOR, ARREPENDIMENTO E GRATIDÃO

“O amor de Deus está derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5.5). Não há outra “pedra de toque” para se saber se um homem ou uma mulher está, de fato, habitado/a pelo Espírito Santo do que o amor que ele ou ela manifestar. Qualquer que ama conhece Deus (I João 4.7). Ama a Deus e ao próximo: “Se alguém diz: Eu amo a Deus mas não ama a seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?” (I João 4.20). Mas atenção: o amor de Deus foi derramado nos nossos corações. É dádiva: é o primeiro fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22). Não é produto do esforço humano, é espontâneo. Alguns fingem amar, mas aquele que sabe discernir espiritualmente conhece bem qual é o amor autêntico.

Quando o crente sente o amor de Deus dentro de si, Deus amando através de si,toma consciência das suas faltas, reconhece o seu pecado. O arrependimento que o discurso moralista e farisaico não consegue, nasce naturalmente naquele que tornou o sabor do amor do Pai, pronto a perdoar. O arrependimento não é uma boa obra que fazemos para merecermos o amor de Deus, como crê o homem na carne religioso, mas é ele mesmo o resultado do amor de Deus derramado no crente. Deus toma a iniciativa. Se nem todos se arrependem é porque muitos rejeitam o amor de Deus.

A Parábola do Filho Pródigo (Lucas 15.11-32), ilustra esse ensino. O filho perdido não se arrepende por lhe terem chamado a atenção para o seu pecado ou por, por si só, ter tomado consciência do seu pecado, mas o arrependimento veio-lhe de ter tido consciência de que podia ir bater à porta da casa do Pai, onde havia fartura de comida. Sabia que o Pai o receberia. Se o amor do Pai não fosse evidente para o filho, este não teria chegado ao arrependimento. Se Jesus não se tivesse manifestado como sendo o rabi que amava, Maria de Magdala não teria tido a ousadia de se aproximar dele, não se teria arrependido e ficado grata, tornando-se uma das. mais devotadas das suas seguidoras.

Ao arrependimento segue-se a vida em gratidão, e esta torna-se o sentimento central da vida. Não há discipulado cristão feliz que não seja um discipulado fortemente marcado pela gratidão. É a gratidão que leva a dizer: “A vida que agora vivo, na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2.20).

Infelizmente, não é fácil ao ser humano cultivar a gratidão. Temos a tendência de passar indiferentes pelas muitas bênçãos que recebemos na nossa vida. Mas a alma crente tem de aprender com o salmista e proclamar: “Bendize, Ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, Ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum dos seus benefícios” (Salmo 103.1,2).

 

Um velho hino protestante exorta também:

 

Conta as bênçãos, conta quantas são,

Recebidas da divina mão.

Vem dizê-Ias, todas de uma vez,

E verás surpreso quanto Deus já fez.

 

É preciso aprendermos a descobrir em cada acontecimento os aspectos que cooperam para enriquecer a nossa personalidade e tornar-nos mais felizes. A gratidão é a essência da felicidade. Estar grato a Deus ou à Vida e “contar as bênçãos recebidas da divina mão” é o mesmo que dizer: “Sou feliz”.

O movimento dentro das Igrejas que, com maior visibilidade, a partir do século XVIII, tem procurado sublinhar a necessidade de os cristãos terem a experiência da ação do Espírito Santo na sua vida, tem sido, em geral, de muito benefício. Foi o movimento metodista de Wesley; o movimento pentecostal; o movimento carismático mais recente. No entanto, há entre muitos cristãos alguns exageros e os exageros têm, por vezes, resultados perversos. Um dos exageros é querer fazer passar a idéia de que “viver no Espírito” é sempre viver em estado de euforia, isto é, em grande contentamento e animação. Aos que vivem em constante animação é costume chamar “entusiastas”, vindo esta palavra do grego “en Theos“, em Deus, salientando que a animação vem da presença de Deus nessas pessoas. Mas é preciso lembrar que Deus é também Paz e a Sua presença muitas vezes traduz-se numa grande serenidade no crente.

 

Não há nas Escrituras sinais de que a euforia permanente exista, e a razão mostra que a verdade tem de ser diferente. O que, por exemplo, lemos sobre São Paulo, no Livro dos Actos dos Apóstolos, e o que dele lemos nas suas epístolas torna claro que ele é alguém que, no essencial, vive “no Espírito”. Paulo diz de si mesmo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo, na carne, vivo-e na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2.20).

Quando Paulo fala em “agora”, está a referir-se ao tempo que decorre desde a sua conversão – e no entanto, não faltam textos escritos pela mão do mesmo apóstolo em que ele está longe de se expressar com euforia, mas antes fala, sem queixume, da sua fraqueza como homem, das suas lágrimas, do seu sofrimento, das suas provações. Os discípulos, no dia de Pentecostes, ao receberem o Espírito Santo, ficaram, sem dúvida, eufóricos, até levarem os seus detratores a dizerem que estavam embriagados – mas essa euforia não esteve permanentemente com eles, pois vieram horas de recolhimento, de dor mesmo, de sério confronto com problemas concretos.

Pensemos também que os cristãos, como todas as pessoas, têm de passar pela morte. Mesmo que vivam na maior segurança, rodeados do maior bem-estar, chega o dia em que terão de ir “pelo caminho de toda a terra” (I Reis 2.2), uns ainda jovens, outros menos jovens e alguns ainda com muita idade. É natural então, quando o tempo da partida se aproxima, que as forças vão faltando, tanto físicas como mentais. E que acontecerá àqueles que vivem no Espírito? O que tem acontecido a grandes servos de Deus quando a doença toma os seus corpos é manterem-se serenamente na submissão ao Espírito, e terminarem tranquilamente a sua carreira. Nas horas do declínio, nem por isso deixam de ter a bênção de Deus, mas já com voz fraca e corpo em sofrimento.

Mas nem precisamos de pensar nesses tempos de fraqueza natural que estão perto da morte. Basta reflectirmos no facto de que também os crentes têm aflições na vida e a doença de um ente querido ou a separação pela morte há-de reflectir-se na sua vida. O Espírito estará bem presente e desempenhará a Sua missão de Consolador, co- existente, por certo, com a lágrima discreta, a mágoa furtiva. E também os crentes são susceptíveis de um vírus de gripe, de uma pneumonia, que Ihes tiram as forças e os deixam fisicamente cambaleantes, não obstante o Espírito de Deus os habitar.

Também isso faz parte desta verdade: “No mundo tereis aflições” (João 16.33). Só quando o Reino de Deus chegar à sua plenitude, no fim dos tempos, é que o crente viverá também na plenitude da sua libertação.

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