O CASAMENTO

O casamento foi instituído por Deus

“Por isso deixará o homem a seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne. De modo que já não são mais dois, mas uma só carne. Portanto o que Deus ajuntou não o separe o homem” Marcos 10.7-9.

O casamento não foi estabelecido por uma lei humana, nem inventado por alguma civilização. Ele antecede toda a cultura, tradição, povo ou nação. É uma instituição divina.

O casamento não é uma sociedade entre duas partes, onde cada uma coloca as suas condições. Deus é quem estabelece as condições, não o homem ou a mulher. Nem os dois de comum acordo. Nem as leis do país. Quem se casa deve aceitar as condições estabelecidas por Deus e não há nada o que temer porque Deus é amor e infinitamente sábio.

 

1. O Fundamento do Casamento

A base do casamento é a vontade comprometida pelo pacto mútuo e não o amor sentimental.

2. O Amor

Em nossos dias, existe o conceito generalizado de que o amor sentimental é a base do casamento. Isso por causa do romantismo e do erotismo na literatura, cinema e televisão. Certamente que o amor sentimental é um ingrediente importante do casamento, mas não é a sua base.

Deus não poderia estabelecer algo tão importante sobre uma base tão instável como os sentimentos. Na realidade, muito do que se chama de “amor” é egoísmo disfarçado. O amor erótico ou romântico busca a satisfação própria ou o benefício que pode ter através do outro. Diversas razões podem modificar os nossos sentimentos: problemas de convivência, maus tratos, falhas de caráter do cônjuge, o surgimento de alguém mais interessante, etc. Depois de algum tempo, muitos casamentos chegam a essa triste conclusão: “Não nos amamos mais. Devemos nos separar”.

 

3. A Vontade Comprometida

Quando um homem e uma mulher se casam, fazem um pacto, uma aliança. Comprometem a sua vontade para viverem unidos até que a morte os separe. Deus os responsabiliza pela decisão (Eclesiastes 5.4-5; Malaquias 2.14; Mateus 5.37).

Nem sempre podemos controlar os nossos sentimentos, mas a nossa vontade, sim. Quando os sentimentos “balançarem”, o casamento se manterá firme pela fidelidade ao pacto matrimonial. Cristo é o nosso Senhor e nossa vontade está sujeita à d’Ele. Dessa maneira, ainda que atravessemos momentos difíceis, a unidade matrimonial não estará em perigo.

4. O Casamento É que Sustenta o Amor

Há um conceito errado que diz: “acabou o amor, acabou o casamento!” Mas a verdade de Deus é que todos os casados devem se amar. É um mandamento. Deus não diz que o casamento subsiste enquanto durar o amor. Os cônjuges podem desobedecer a Deus e não amarem-se, todavia isto não invalida a união. Deus diz que eles devem amar-se porque estão unidos em casamento (Colossenses 3.19; Tito 2.4).

O verdadeiro amor (ágape) existe quando alguém pensa no bem do outro, quer fazê-lo feliz, nega-se a si mesmo, se da, suporta, perdoa, etc. Com este entendimento, o verdadeiro amor aflora, cresce e se torna estável. Esse tipo de amor não anula o amor romântico, mas santifica, embeleza e o faz durável. (Colossenses 4:10)

 

O casamento é sagrado e indissolúvel

 

1. O Vínculo Matrimonial

“De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” Mateus 19.6 e I Coríntios 7.39 ).

Entendemos que Deus não muda e que no caso do casamento, Deus continua trabalhando para que os já casados ou os que se casarem, de fato não venham se separar. No entanto, Jesus respondeu em Mateus 19:1-12 os casos quando há separações por outros motivos. 

 

Estes textos nos mostram claramente que;

  • O vínculo matrimonial é fortíssimo. São “uma só carne”
  • O vínculo é realizado pelo próprio Deus. “O que Deus ajuntou”
  • É um vínculo indissolúvel enquanto os dois cônjuges estão vivos. “A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver” Somente a morte de um dos dois pode dissolvê-lo.
  • Nenhum homem ou lei humana pode dissolver este vínculo. Quem o fizer, estará se rebelando diretamente contra Deus.

 

2. Separação, Divórcio e Recasamento

2.1. Separação

“Ora, aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido. Se, porém, ela vier a separar-se, que não se case, ou que se reconcilie com seu marido; e que o marido não se aparte de sua mulher” (1 Coríntios 7.10-11).

  • Deus claramente diz NÃO para a separação.
  • Se por acaso o cônjuge incrédulo se separar (I Coríntios 7.12-15), a opção do cônjuge crente é ficar só, nunca recasar.

 

2.2. Divórcio

“Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança. E não fez ele somente um, ainda que lhe sobejava espírito? E porque somente um? Não é que buscava descendência piedosa? Portanto cuidai de vos mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Pois eu detesto o divórcio, diz o Senhor Deus de Israel” (Malaquias 2.14-16).

 

Deus exige lealdade ao pacto matrimonial, pois ele aborrece o divórcio

 

2.3. Recasamento

“Quem repudiar sua mulher e casar com outra, comete ADULTÉRIO contra aquela. E se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete ADULTÉRIO” (Marcos 10.11-12).

“De sorte que será considerada adúltera se, vivendo ainda o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei, e não será ADÚLTERA se contrair novas núpcias” (Romanos 7.3).

“Quem repudiar sua mulher e casar com outra, comete ADULTÉRIO; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido, também comete ADULTÉRIO” (Lucas 16.18).

Quando alguém se divorcia e se casa de novo, Deus não considera isso casamento, mas sim ADULTÉRIO. Se um solteiro se casa com uma mulher repudiada, também ADULTERA, e vice-versa.

 

2.4. Exceção

Nos tempos atuais é cada vez mais frequente no seio das igrejas o questionamento sobre divórcio e recasamento. É também comum ministros de Deus minimizarem a séria natureza do divórcio e suas implicações espirituais.

Aparentemente o divórcio era um costume irrestrito entre os judeus na época de Cristo e, em pelo menos duas ocasiões distintas, pediram-lhe que desse Sua opinião a respeito. Suas respostas estão registradas em Mateus 5.31-32; Mateus 19.1-9; Marcos 10.2-12 e Lucas 16.18. Em cada caso o Senhor deixa claro que a fornicação cometida por qualquer das partes é a única base permissível para o divórcio — havendo a inferência de que, nesses casos, o cônjuge inocente tem direito ao divórcio e ao novo casamento. Entretanto, caso o divórcio ocorra sem que haja a prática de fornicação, ambas as partes serão culpadas de adultério, caso venham a se casar novamente. Em outras palavras, uma nova união sexual — ainda que sob o vínculo de um casamento juridicamente legal — será considerada fornicação aos olhos de Deus.

Os pastores são abordados continuamente por indivíduos com os corações partidos em busca de conselhos com relação ao seu caso em particular. Pessoas sinceras e que amam muito a Deus às vezes se divorciaram e se casaram de novo antes da conversão e agora sofrem porque querem entrar no ministério. Isso as tornaria inaptas para o ministério? Muitos outros — vítimas inocentes do divórcio — compreensivelmente desejam amor e felicidade em suas vidas, mas estão dominados pela culpa porque voltaram a se casar e estão “vivendo em adultério”.

Outros perguntam sobre circunstâncias atenuantes — brechas que possam absolvê-los da culpa. Há alguma validade possível para essas circunstâncias atenuantes à luz de um assunto aparentemente definido em termos tão restritos? Cremos que sim.

É um erro gravíssimo quando ambos os cônjuges eram salvos quando se casaram e, por algum motivo, simplesmente não conseguiram solucionar suas diferenças e a tensão fez com que os corações feridos prevalecessem sobre a razão, resultando na dissolução do casamento e ambos agora estão casados novamente com outras pessoas. Não há dúvida de que o pecado foi cometido. Com muita frequência há um sentimento de culpa que permanece logo abaixo da superfície e que Satanás simplesmente adora atiçar e trazer à mente.

Bem, para aqueles que se enquadram no exemplo acima, o conselho é que reivindiquem I João 1.9 e prossigam com suas vidas! Você pecou ao se divorciar? Sim! Deus perdoará esse pecado se você verdadeiramente se arrepender e pedir o perdão? Sim! Se Deus perdoa (como diz em 1 João 1.9), deveria o espectro de “viver em adultério” pairar sobre sua cabeça pelo resto da vida? NÃO!!! O fato de ser um adúltero não pode ser mudado mais do que o fato de ser um assassino, ou um mentiroso, ou um ladrão, ou… seja o que for, mas uma vez que Deus perdoa o pecado — Ele o esquece, como vemos nos seguintes versos:

 

“Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro.” (Isaías 43.25]

 

“Não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jeremias 31.34)

 

Logo, uma vez que o pecado foi perdoado e Deus o esqueceu, você também deve fazer o mesmo. Mas para aqueles que tendem a discordar e dizer que isso parece muito fácil e que encorajam as pessoas a errar porque podem pecar sem serem punidos, permitam-me dizer que Deus corrige aqueles a quem ama, como vemos nos seguintes versos:

“Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos.” [Hebreus 12.6-8]

O divórcio é sempre pecado, independente das circunstâncias? Quando ambos os cônjuges são cristãos nascidos de novo na época do casamento, parece não haver dúvidas a respeito. Os votos que fizeram foram uma aliança que só pode ser quebrada pela morte. Eles foram unidos por Deus pelos laços sagrados do matrimônio, como vemos da declaração do Senhor:

“Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.” [Mateus 19.4-6]

Entretanto, parece que as Escrituras permitem única exceção no caso em que estão em consideração “casamentos mistos” — nos quais um dos indivíduos não é cristão. Encontramos esse ensino do apóstolo Paulo nos seguintes versos:

“Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe. Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos. Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã não está sujeito à servidão: mas Deus chamou-nos para a paz”

[I Coríntios 7.12.15 — ênfase adicionada]

Um cristão nunca deve de forma consciente se casar com uma pessoa incrédula. A Bíblia refere-se a isso como jugo desigual (II Coríntios 6.14) e deve ser evitado por causa dos problemas óbvios que trará no casamento. Imagine um lavrador tentando arar um campo com um boi e um burro atados um ao outro. O resultado seria cômico se não fosse tão sério! Infelizmente, um grande número de cristãos com o coração partido pode testificar da devastação criada por causa dos valores espirituais desiguais de tal relacionamento.

Se você é um cristão solteiro, poupe a si mesmo dessa agonia de alma afastando-se de qualquer pessoa que não conheça a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Se você está apaixonado, isso será doloroso — mas não será nada perto do quanto doerá mais tarde caso você se enrede casando-se com tal pessoa! Caso você duvide da verdade dessa afirmação, apenas converse com aqueles que já passaram por isso. Muitos, na verdade, se encontram nessa exata situação. Seus maridos/mulheres não são cristãos nascidos de novo e o casamento é insuportável. O que eles devem fazer? Bem, os versos referidos anteriormente ensinam que o cônjuge cristão deve fazer todo o esforço para manter o casamento, mas caso a pessoa esteja determinada a obter o divórcio — deixe-a partir. A aliança do casamento sob o padrão divino de Deus não pode ser forçada sobre uma pessoa não-regenerada. Caso ela entre com o pedido de divórcio, a maior parte dos pregadores conservadores — com base no verso 15— acredita que o cristão está limpo com relação ao assunto e pode se casar de novo sem cometer adultério.

Mas, e quanto à situação na qual o cristão sofre abuso (verbal ou físico) do cônjuge incrédulo e não há indicação de que o cônjuge que pratica o abuso deseja dar fim ao casamento? Deveria o cristão suportar passivamente a tortura, ou existe alguma alternativa possível?

E quanto ao homem chamado para pregar que divorciou-se e recasou antes de ser salvo? Aquele divórcio e recasamento — ainda que seja visto por Deus como adultério — o tornam inapto para o ministério?

Se o pecado tornasse o homem inapto para o serviço, não haveria pregadores! Todos somos pecadores por natureza e por prática — e isso inclui cada cristão. A salvação não põe um fim ao pecado nesta vida — apenas evita a penalidade. Embora a maioria dos pregadores conservadores creia e ensine que um homem divorciado não possa exercer o cargo de bispo ou pastor por causa do requisito “marido de uma mulher” de 1 Timóteo 3.2 (que outros veem como sendo “uma mulher de cada vez” — uma proibição contra a poligamia), isso de forma alguma proíbe um homem de pregar o evangelho de Jesus Cristo! Na pior das hipóteses apenas significaria que ele estaria desqualificado para servir como pastor de uma igreja. O ofício de evangelista não tem tal proibição e os missionários não são necessariamente pastores. Se Deus o chamou para pregar e você está preocupado com seu divórcio e segundo casamento, coloque-se sob o sangue de Cristo e então comece a proclamar as boas novas da salvação a todos que queiram ouvir.

Finalmente, existem aqueles que são vítimas inocentes do divórcio — as esposas que, independentemente de qualquer culpa, são colocadas de lado por outra mulher. São elas consideradas adúlteras caso venham a recasar? Vejamos o que o Senhor diz em Mateus 5.32:

“Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.”

A frase “faz que ela cometa adultério’ é interpretada por muitos como se a mulher inocente (ou o homem) se casar novamente — algo quase que necessário para a sobrevivência da mulher naqueles dias — estaria cometendo adultério. No entanto, o que o Senhor está dizendo aqui tem a ver com a opinião pública. A responsabilidade pelo divórcio está claramente colocada sobre aquele que deu razão para ele e, ao se divorciar, esse indivíduo estaria fazendo com que o cônjuge inocente fosse visto pelos outros como infiel. Essa percepção de infidelidade então se estenderia a quem se casasse com o cônjuge abandonado e o rotularia como adúltero também. Mas não queremos ignorar a possibilidade de o cônjuge que deu causa ao divórcio casar-se novamente primeiro — a causa mais comum para o divórcio em primeiro lugar — sendo assim infiel e cometendo fornicação/adultério. Isso dá então ao cônjuge inocente base inquestionável para o divórcio e, assim, o novo casamento dessa pessoa não constitui adultério.

O adultério é pecado e não deve ser encarado com leviandade. O casamento é uma instituição estabelecida por Deus e objetiva que um homem e uma mulher vivam em amor e harmonia por toda a vida. Quando uma sociedade começa a degenerar, sempre começa a se desintegrar com a dissolução dos casamentos e das famílias, causando grande sofrimento a todos os envolvidos. Assim, se você estiver pensando em se casar, faça a si mesmo um grande favor e certifique-se que a pessoa que é objeto do seu amor é realmente sua melhor amiga.

Se seu romance real é tempestuoso, a probabilidade de que o casamento venha a acalmar o vento e amansar a força das ondas é pequena ou nenhuma! O casamento sempre pressiona um relacionamento porque duas vontades precisam ser fundidas em uma, a fim de que ele funcione como deve para que ambos estejam felizes, contentes e satisfeitos. As expectativas irrealistas e a lascívia são as principais responsáveis pelo fracasso dos casamentos. Olhe muito bem antes de dar o mergulho, pois pode ser que não haja água na piscina.

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