DISCIPULADO DOS NOVOS CONVERTIDOS

DISCIPULADO DOS NOVOS CONVERTIDOS

“…e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio

e Antioquia, confirmando os ânimos dos discípulos,

exortando-os a permanecer na fé…”

Atos 14.21,22

Um conceito fundamental no cuidado dos novos discípulos, muito negligenciado, é o discipulado. Acompanhamento é o discipulado pessoal e contínuo ao novo crente que, às vezes, chama-se adoção ou acompanhamento (com o sentido de trabalhar com novos discípulos). O ideal é iniciar este trabalho logo após a decisão, no caso de decisões fora dos templos das igrejas. Geralmente é mais provável que isto venha a ser iniciado depois da decisão pública no culto.

 

A. DUAS PALAVRAS-CHAVES NO DISCIPULADO

A palavra mais usada para trabalhar com os novos crentes é integração. Porém integração não traduz toda a idéia do discipulado, pois em alguns ambientes, quando julgam que a pessoa está suficientemente integrada, cessa o acompanhamento de perto. Também se fala em conservação dos resultados evangelísticos. Alguns chamam esse trabalho de consolidação contínua.

A palavra INTEGRAÇÃO não se encontra no Novo Testamento. O conceito, porém, pode ser notado. CONSERVAÇÃO não se encontra nem em palavra e nem em conceito. O desejo não é de “conservar“, é de desenvolver os novos crentes como parte do organismo, a igreja. Todos os crentes são discípulos e o trabalho com todos os discípulos deve ser contínuo.

Por isso, falar de discipulado exclusivamente para se referir aos novos crentes pode confundir a compreensão dos termos discípulo e discipulado. Porém, falando do desenvolvimento inicial dos novos discípulos, é muito certo e não fere o entendimento de que todos os crentes são discípulos a vida inteira.

No caso das igrejas que praticam o MDA como modelo de evangelismo, discipulado e pastoreio, o cuidado com os novos crentes chama-se Acompanhamento Inicial, dividido em três níveis de manuais, tanto para o discípulo como para o discipulador.

Qual é a palavra ou conceito do Novo Testamento quanto ao trabalho com os novos crentes? Na realidade, o Novo Testamento não tem uma palavra usada exclusivamente para esse trabalho, ou seja, um termo técnico. Porém, a palavra mais usada no trabalho com os novos crentes é a palavra “exortação“.

 

EXORTAÇÃO

Exortação é a primeira palavra chave. Leia Atos 11.22,23; 13.43; 14.21,22. Note o uso desta palavra. Em cada instante as pessoas são exortadas a fazer alguma coisa. O quê? Quem está sendo exortado em cada instante?

Qual é o sentido da palavra “exortar” ou “exortação”?

José de Chipre (Atos 4.36) é mais conhecido pelo seu apelido, Barnabé. Somos ensinados que o termo Barnabé traduzido, quer dizer “filho da consolação“. É interessante notar que “consolação“, traduzida do grego, pode ser também “exortação“. Trata-se da mesma palavra que Jesus usou quando disse: “rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (João 14.16).

v  A idéia é de alguém que anda conosco para nos encorajar, consolar, exortar, e nos orientar nas horas de dificuldades. O Espírito Santo é nosso exortador, consolador, ou acompanhante supremo. Os novos crentes precisam de orientadores e exortadores. Foi isso que José de Chipre fez tão bem e seu nome mudou para Filho da Consolação ou Exortação.

 

COMUNHÃO

 

Comunhão é a segunda palavra chave no discipulado. Lembre-se do exemplo de Jesus e da igreja de Jerusalém, de como conviver com os novos convertidos. Note que foi enfatizado que os crentes ficassem em Jerusalém numa vigília de oração por dez dias. Precisavam aprender a conviver e a ter comunhão com o Cristo ressurreto na pessoa do Espírito Santo.

Como resultado da comunhão profunda com Cristo através do Espírito Santo, eles também experimentavam uma comunhão importante uns com os outros. Mas, bem mais importante ainda, é o fato de que estavam preparados para receber os três mil novos crentes e ensinar-lhes a conviver com Cristo e sua igreja.

Hoje também há grande necessidade de acompanhantes preparados para trabalhar com os novos crentes. O trabalho de acompanhante não é de ser um professor particular. Ele é um exortador – consolador que anda ao lado do novo crente para encorajá-lo como um irmão e não como um professor. Ele faz o que Barnabé fez com Paulo e com outros antes de Paulo. Ele leva o novo crente para a igreja para introduzi-lo na comunhão entre os irmãos. Leva a igreja a aceitá-lo e ele a sentir que é aceito pela igreja.

Por isso, pode-se dizer que um discipulador convive com o novo crente para exortá-lo a permanecer firme na comunhão com Cristo e Sua igreja.

B. COMO INICIAR A CONSOLIDAÇÃO

O trabalho de consolidação tem melhor desempenho quando o consolidador atua com o apoio e autoridade da igreja. Portanto, é melhor iniciar esse ministério no final do culto. Ao apresentar os novos crentes à igreja, o pastor pode iniciar o processo, se a equipe de consolidação for bem preparada. Pode ser feito assim:

v  Ao preencher a Ficha Do Novo Nascimento, o líder da equipe de consolidação escreverá o nome da célula do decidido (à qual pertence ou deve pertencer). Também escreverá o nome do líder e do consolidador que poderá acompanhá-lo. Se não tiver alguém preparado que possa trabalhar com esse decidido, deverá deixar o espaço para o discipulador ou a célula em branco;

v  O diretor da equipe de consolidação terá todas as fichas prontas em três vias. Uma delas fica na igreja, a qual será usada para que seus dados sejam transferidos para o livro de consolidação da igreja. As outras vias serão dadas aos pastores/líderes de rede, os quais, por sua vez, repassarão cópias para os supervisores e líderes debaixo dele;

v  O pastor de rede e/ou outros líderes debaixo dele farão a fonovisita nas próximas 24 horas. Para isso serão usados os dados da ficha preenchida na sala de consolidação;

v  Marcarão uma visita com o novo decidido dentro de 48 horas. Isso dará tempo para que ele seja levado para a célula que acontecerá durante a semana, na quarta, quinta ou sexta-feira;

v  Os pastores, juntamente com os supervisores e líderes de célula, garantirão que aquele novo convertido terá um discipulador, alguém que vai acompanhá-lo dali para frente.

C. COMO INICIAR A CONSOLIDAÇÃO EM TRABALHOS FORA DA IGREJA

Igrejas que têm melhor desenvolvimento do seu trabalho de evangelização têm a felicidade de terem muitas decisões fora do templo da igreja: nas células e nos locais de trabalho e estudo, ao aplicarem os trabalhos de evangelização pessoal. Como podemos iniciar o trabalho de consolidação com pessoas nesses casos?

É claro que existem pessoas treinadas que estão designadas para ajudarem na consolidação nos trabalhos fora do templo. No caso de células, o trabalho de consolidação sempre terá melhor êxito se o consolidador for alguém que coopere sempre com as reuniões. Na evangelização pessoal, se o evangelizador não pode fazer a consolidação, ele deve levar alguém treinado, tão logo seja possível. O primeiro passo pode ser o de repassar o mesmo conteúdo do livrinho que dado de presente ao novo convertido na consolidação do templo.

Sempre é muito importante determinar logo se a pessoa se converteu ou não. Se há motivo para duvidar de seu entendimento do Evangelho ou de sua sinceridade na decisão, concentre os esforços em conduzi-la a um compromisso genuíno com Cristo, e não com o discipulador, pois não fazemos discipulado com não crentes.

Com não crentes nós trabalhamos um processo de evangelização. Também não podemos ter conselheiros que não apresentam evidências de serem genuinamente convertidos.

 

 

D. FATORES IMPORTANTES A CONSIDERAR

v  Só devemos realmente discipular uma pessoa que obviamente se converteu e está disposta ser acompanhada;

v  Só devemos discipular uma pessoa do mesmo sexo; a exceção é quando um solteiro discipula um casal, ou quando um casal discipula um pessoa solteira: mesmo esses casos são situações atípicas e que devem ser corrigidas o mais breve possível;

v  O ideal é discipular pessoas da mesma faixa etária, pois haverá maior afinidade quanto a interesses, experiências, sociabilidade;

v  Uma pessoa que seja, geralmente, semelhante (exemplo: casadas com casadas, profissionais de mesma profissão, etc.);

v  Uma pessoa fácil de encontrar durante a semana (moram ou trabalham em lugares próximos, freqüentam os mesmos ambientes);

v  Para uma melhor compreensão desse assunto, volte leia de novo o Manual do Discipulador, as apostilas “Ide e Fazei Discípulos” (Fundamentos) e Discipulado Bíblico (CTL).

E. O QUE FAZER NA SEQUÊNCIA?

O que é que um discipulador deve fazer com o novo convertido durante os próximos meses de consolidação e discipulado?

Não é preciso fazer tudo na primeira visita. Você tem tempo. Na primeira visita o mais importante é a formação de uma amizade. O líder de célula ou um supervisor pode participar dessa primeira visita. Outros membros da célula podem participar em outras visitas depois.

 

F. ACOMPANHAMENTO INDIVIDUAL, PESSOAL

v  Mostrar ao novo crente como crescer espiritualmente;

v  Ajudá-lo a conhecer a Bíblia (as divisões do Novo Testamento e o Velho Testamento, os livros, Evangelhos, cartas, profetas, capítulos, versículos, etc.);

v  Mostrar-lhes as grandes verdades nos seguintes textos: I João 5.11-13 (certeza da salvação), no primeiro encontro. I Coríntios 10.13 (certeza da vitória sobre a tentação) e I João 1.9 (certeza de perdão);

v  O discipulador deve comprar e dar para ele o livrinho do Acompanhamento Inicial. Pode até pedir que ele compre, mas é bonito quando o próprio discipulador doa o primeiro manual. Mas ele avisa que os próximos o próprio discípulo ficará responsável por adquirir;

v  Fazer um compromisso de se encontrarem semanalmente (por uma hora no mínimo). Pode ser um horário conveniente para ambos, como um horário de almoço, café da manhã, na igreja antes ou depois de uma reunião, etc.;

v  Participar juntos, de vez em quando, de atividades sociais, atléticas, recreativas, etc.;

v  Quando não for possível reunir, deverá avisá-lo;

v  Compartilhar com ele as experiências de seu tempo a sós com Deus (devocional diário);

v  Compartilhar o que você está aprendendo no seu estudo da Bíblia.

 

G. APROVEITANDO OUTROS RECURSOS – COLETIVOS.

v  Acompanhá-lo aos cultos, célula, etc. (até que ele fique suficientemente firme, e passe a assistir sem que seja precise ir buscá-lo);

v  Levá-lo a iniciar as classes do Curso de Fundamentos, iniciando com a Nova Criatura, e depois indo para a Família Cristã, Curso de Membresia e Ide e fazei Discípulos;

v  Levá-lo a participar do Pré-Encontro, Encontro e Pós-Encontro;

v  Desafiá-lo a memorizar um versículo cada semana;

v  Se ele for jovem ou adolescente, envolvê-lo nas programações jovens e teen que acontecem periodicamente na igreja e fora dela;

v  Pedir que ele compartilhe o que está aprendendo no seu tempo diário a sós com Deus;

v  Sugerir outros estudos, livros ou revistas que ele possa usar no seu tempo devocional;

v  Convidá-lo e levá-lo a participar do TADEL, para comece a entender e tomar gosto pelos assuntos ligados ao discipulado e liderança de células.

H. SUGESTÕES PRÁTICAS PARA O DISCIPULADOR

v  Anotar os estudos e sugestões que têm ajudado o novo crente. Guardá-los numa pasta para usar com outros;

v  Compartilhar o que você está ensinando com outros discipuladores (a melhor maneira de guardar o que aprende é ensinar a outros);

v  Aplicar em sua vida o que você está ensinando (hipocrisia, geralmente, é o resultado de não aplicar na própria vida o conhecimento que tem);

v  Dar oportunidade para o novo convertido compartilhar o que ele está aprendendo no seu tempo a sós com Deus, bem como sua dificuldade em entender e responder às perguntas nos estudos impressos;

v  Continuar crescendo! Deve continuar estudando para crescer;

v  Não desanimar – Um consolidador bem sucedido é alguém que ama e treina o novo crente, deixando os resultados com Deus. “Não nos cansemos de fazer o bem” (Gálatas 6.9).

v  Sempre arquivar os materiais que tem na sua pasta de consolidação, os estudos dados no TADEL, as instruções fornecidas pelos supervisores e pastores para as reuniões dos grupos de setor, etc.

v  Quando achar materiais que podem ajudar o novo crente, inclua esses na sua pasta de consolidação.

v  Deixar que o Espírito Santo lhe mostre verdades que podem beneficiar o novo crente. Anote-a e inclua na sua pasta.

v  Quando o novo crente ficar bem integrado, em condições de se alimentar espiritualmente, deve providenciar para ele cópias dos materiais que você tem na sua pasta de consolidação. Eles podem ajudá-lo a continuar crescendo, e, também, o ajudarão a consolidar outros.

Todo o tempo o consolidador deve lembrar que seu objetivo é exortar o novo crente a ficar firme na comunhão com Cristo e sua igreja. Ele fará isso levando o novo crente a se alimentar espiritualmente e participar assiduamente na vida da igreja.

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