TORNANDO-SE UMA IGREJA DIRIGIDA POR PROPÓSITOS

TORNANDO-SE UMA IGREJA DIRIGIDA POR PROPÓSITOS

Propósitos

O que motiva a nossa igreja?

Toda igreja é dirigida ou motivada por alguma coisa. Existe uma força que guia, uma pressuposição controladora, uma convicção motivadora por trás de tudo o que acontece. Se olharmos a palavra ‘dirigir’ no dicionário, acharemos esta definição: “guiar, controlar ou direcionar”. Este direcionamento pode não estar escrito em nenhum lugar, ele pode ser desconhecido para a maioria das pessoas da Igreja. Provavelmente nunca houve uma votação para aprovar tal direcionamento. Mas, ainda assim, ele existe e influencia cada aspecto da vida da Igreja.

Qual é a força que direciona e motiva nossa igreja?

1)   Igrejas dirigidas pela tradição: Nas igrejas dirigidas pela tradição, a frase preferida é: “Nós sempre fizemos isso deste jeito”. O alvo da igreja dirigida por tradições é simplesmente perpetuar o passado. Mudanças são quase sempre vistas de uma forma negativa e a estagnação é interpretada como sinônimo de “estabilidade”. Igrejas mais antigas têm a tendência de se agarrar a certas regras, regulamentos e rituais, enquanto as mais jovens tendem a se unir a um propósito e uma missão. Em algumas igrejas a tradição é tanta que qualquer outra coisa, inclusive a vontade de Deus, se torna secundária. Alguém disse que as sete últimas palavras de uma igreja são: “nós nunca fizemos isto este jeito antes”.

2)   Igrejas dirigidas por personalidades: Nesta igreja o fato mais importante é: “O que o líder da igreja quer?” Se o pastor está servido na igreja por muito tempo, certamente é a personalidade que a motiva. Mas se a igreja tem uma história de sempre mudar de pastor, um ou mais leigos de destaque na igreja certamente são esta força polarizadora. Um dos problemas comuns de uma igreja dirigida por personalidades é que o planejamento é sempre determinado pelo passado, necessidades e inseguranças do líder, não pela vontade de Deus e pela necessidade do povo. Outro problema é que esta igreja é colocada em cheque quando a personalidade dirigente a deixa ou morre.

3)   Igreja dirigida pelas finanças: A questão que ronda a mente de cada pessoa numa igreja dirigida por finanças é: “Quanto isto vai custar?” Nada é tão importante quanto as finanças. O debate mais quente nessa igreja é sempre sobre o orçamento. Boa mordomia e entrada financeira são elementos essenciais em um igreja sadia, mas finanças nunca poder ser um fator controlador. O item principal deve ser o que Deus quer que a Igreja faça. Igrejas não existem para produzir lucro. A razão da existência de uma igreja não deve ser “quanto conseguimos economizar?”, mas sim, “quantos nós conseguimos salvar?” .

4)   Igrejas dirigidas por programas: O programa feminino, o coral, a escola dominical, e o estudo bíblico são exemplos de programas que muitas vezes são a força que motiva certas igrejas. Numa igreja dirigida por programas, toda energia está concentrada em se manter o que foi planejado. A igreja dirigida por programas, em vez de desenvolver o povo, trabalha somente no preenchimento de cargos. A comissão de nomeações é o grupo mais importante da igreja. Se os resultados não são os esperados, as pessoas envolvidas culpam a si mesmas por não trabalharem o suficiente. Ninguém jamais questiona se o programa ainda funciona ou não.

5)   Igrejas dirigidas por construções: Winston Churchill disse uma vez: “Formamos os nossos prédios e depois os prédios nos formam”. Muitas vezes uma congregação está tão ansiosa por ter uma prédio bonito, que os seus membros gastam mais dinheiro do que eles têm. O maior item do orçamento é o pagamento da manutenção das instalações. Fundos necessários para operar ministérios têm de ser desviados para pagar intermináveis prestações e assim o verdadeiro ministério da Igreja sofre. Para isso serve a expressão chinesa: “Em vez de o cachorro balançar o rabo, o rabo balança o cachorro”.

6)   Igrejas dirigidas por eventos: Se olharmos o calendário de uma igreja dirigida por eventos, ficaremos com a impressão de que a meta daquela igreja é manter o povo ocupado. Sempre tem alguma coisa acontecendo, todos os dias da semana. Existe muito trabalho em igrejas como esta, mas não necessariamente produtividade. Uma igreja pode ser ocupada sem entender qual o propósito de tanta ocupação. Alguém precisa questionar: “Qual o propósito de cada uma de nossas atividades?” Numa igreja dirigida por eventos, o número de programações que uma pessoa freqüenta é principal medida de fidelidade e maturidade.

7)   Modelo bíblico – uma igreja dirigida por propósitos: Devemos começar olhando para tudo o que a nossa igreja faz, através da ótica dos propósitos colocados pelo Novo Testamento e ver como Deus deseja que ela seja equilibrada em todos eles. Vejamos At 2.42-47:

7.1)    E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

7.2)    Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.

7.3)    Todos os que creram estavam juntos, e tinham tudo em comum.

7.4)    Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.

7.5)    Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa, e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,

7.6)    louvando a Deus, e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos”.

A partir do texto percebemos cinco propósitos para a igreja: reunir; edificar; adorar; ministrar; evangelizar. Igrejas fortes são construídas sobre um propósito. Enfocando igualmente todos os cinco propósitos, nossa igreja irá desenvolver um equilíbrio sadio, que produzirá um crescimento duradouro. “Muitos são os planos do coração do homem, mas é o propósito do Senhor que permanecerá (Pv 19.21).

[Comentário: Estes propósitos irão fortalecer as oito marcas de qualidade de uma Igreja que cresce: Liderança capacitadora; Ministérios orientado pelos dons; Espiritualidade contagiante; Estruturas funcionais; Culto inspirador; Grupos familiares; Evangelização orientada para as necessidades; Relacionamentos marcados pelo amor fraternal. Planejamentos, programas e personalidades não duram, mas o propósito de Deus prevalecerá].

8)   A importância de ser dirigido por propósitos: O ponto de partida de cada Igreja deve ser a questão: “Por que existimos?” Até que saibamos qual é a razão de existência de nossa Igreja, não temos um alicerce, nem motivação nem direção no ministério. Se estamos ajudando uma nova Igreja a começar, nossa primeira missão deve ser definir o seu propósito. É muito mais fácil colocar a base correta quando se começa uma nova Igreja, do que tentar endireitá-la depois que ela existe há anos. Se ministramos numa Igreja que está estável, declinando, ou está simplesmente desencorajada, nossa missão principal é redefinir o seu propósito. Esqueçamos qualquer outra coisa, até que tenhamos estabelecido novos propósitos nas mentes de nossos membros. Resgatemos uma visão clara do que Deus quer fazer em nossa Igreja e através dela. Não existe nada no mundo que vai revitalizar mais rápido uma Igreja desencorajada do que redescobrir esse propósito. Igrejas são iniciadas por diversas razões. Algumas vezes são razões inadequadas: competição, orgulho denominacional, necessidade de reconhecimento de um líder, ou algum outro motivo não louvável. A não ser que a força motivadora que rege a Igreja seja bíblica, a saúde e o crescimento da Igreja nunca serão o que Deus deseja. Igrejas fortes não são construídas sobre programas, personalidades ou artifícios, e sim sobre os propósitos eternos de Deus.

 

Os alicerces para uma igreja sadia

A fundação determina o tamanho e a durabilidade de um prédio. Nunca poderemos construir mais do que a fundação pode agüentar. O mesmo é verdade nas Igrejas. Uma Igreja construída sobre uma fundação inadequada, nunca alcançará a altura que Deus deseja. Ela irá desmoronar quando ir além do que suporta a sua base. Se quisermos construir uma Igreja sadia, forte e que cresça, precisamos gastar tempo alicerçando uma fundação sólida. É necessário esclarecer na mente de todos os envolvidos exatamente o porquê da existência da Igreja e o que ela deve fazer. Existe um poder incrível em ter uma “declaração de propósito” claramente definida. Ela produzirá cinco maravilhosas benefícios para nossa Igreja.

1)   O propósito claro cria moral: Moral e missão sempre andam juntas. O texto de 1 Co 1.10 diz “que digais todos a mesma coisa, e que não haja entre vós divisões, para que sejais unidos no mesmo sentido e no mesmo parecer”. Note bem que Paulo diz que a chave para a harmonia na Igreja é estar unida em um só propósito. Se nossa missão não for clara, nosso moral será baixo. Pessoas trabalhando juntas para alcançar um propósito maior não têm tempo de ficar discutindo assuntos triviais. Quando estamos ajudando a remar o barco, não temos tempo para balançá-lo! Onde não há visão, as pessoas vão para outra comunidade, ou não vem mais. Muitas Igrejas estão vivendo por um fio, porque não tem visão. Elas cambaleiam de domingo a domingo porque perderam a visão do propósito de sua existência. Uma Igreja sem propósito e missão, mais cedo ou mais tarde, se torna uma peça de museu das tradições do passado.

2)   Um propósito claro reduz a frustração: Uma “declaração de propósito” reduz a frustração porque permite que esqueçamos coisas que na realidade não têm importância. O propósito claro não somente define o que fazemos, mas também o que não fazemos. A Igreja não tem tempo para fazer tudo. As boas – novas são que Deus não espera que façamos tudo. O segredo de ser eficiente é saber e fazer o que realmente deve ser feito, e não se preocupar com o que não pode ser feito. As pessoas estão sempre dizendo “a igreja deve fazer isso”, ou “a igreja deve fazer aquilo”. Muitas dessas sugestões são atividades importantes, mas este não é o assunto principal. A questão deve ser a seguinte: esta atividade vai de encontro a um dos propósitos para os quais Deus estabeleceu esta Igreja? Sem uma “declaração de propósito” é fácil ficar frustrado. Talvez já tenhamos nos sentido como Isaías: “Mas eu disse: Debalde trabalhei, inútil e em vão gastei as minhas forças.” (Is. 49.4a). Quando a Igreja esquece o seu propósito, ela tem muita dificuldade em decidir o que é importante.

3)   Um propósito claro permite concentração: Uma luz bem focada tem uma tremenda força. Já uma luz difundida, não tem muito efeito. Vidas e igrejas enfocadas terão maior impacto do que as que estão fora de foco. Um propósito claro permite que concentremos nossos esforços. Se quisermos que nossa Igreja venha a impressionar o mundo, precisamos dar importância ao que é realmente essencial. A maioria das igrejas tenta fazer coisas demais. Nós simplesmente cansamos o povo. Atiramos em todas as direções, mas nunca acertamos o verdadeiro alvo. Quanto mais antiga a igreja, mais podemos observar este fato. Programas e eventos continuam a ser acrescentados no calendário, sem que nada seja retirado. Lembremo-nos de que nenhum tipo de programa deve ser feito para durar eternamente. Para uma Igreja permanecer sadia é essencial fazer uma “faxina” de vez em quando e abandonar programas que já não cumprem seus propósitos. Não se pode permanecer montado num cavalo morto!

4)   Uma propósito claro atrai cooperação: As pessoas querem se unir a uma Igreja que sabem para onde está indo. Quando uma Igreja deixa claro o seu destino, as pessoas ficam ansiosas para entrarem a bordo. Isto ocorre porque todos nós procuramos algo que nos preencha de significado, propósito e direção. Se queremos que os nossos membros fiquem animados, apoiem e se dediquem às atividades da Igreja, precisamos explicar exatamente para onde a Igreja está indo. É importante explicar a “declaração de propósito” em detalhes para toda pessoa que quer se unir à Igreja, antes dela se tornar membro. Se permitirmos que as pessoas se tornem membros da Igreja sem entender o seu propósito, estaremos procurando sarna para nos coçarmos. As pessoas geralmente têm interesses pessoais e pressuposições sobre a Igreja. Se não soubermos lidar com elas de uma forma clara e honesta, mais cedo ou mais tarde teremos problemas e conflitos. Uma outra coisa importante é não permitir que lamentadores dirijam os departamentos e trabalhos da Igreja. Ao explicarmos o propósito da Igreja para as pessoas antes de se unirem a ela, não só reduziremos conflitos e decepções, como ajudaremos a reconhecerem que devem se unir a uma igreja de acordo com sua filosofia e gosto pessoal.

5)   Um propósito claro ajuda na avaliação: Paulo escreveu aos Coríntios: “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos” (2 Co 13.5). Como uma igreja se auto-analisa? Isso é possível somente através da comparação com outras igrejas, mas ela deve se questionar: Estamos fazendo aquilo que Deus deseja que façamos? Com é que estamos indo? Qual é o nosso negócio. A “declaração de propósito” deve ser o padrão através do qual meçamos a saúde e o crescimento de nossa Igreja. Este processo de construir uma Igreja com propósitos claros leva algum tempo. Não acontece de uma hora para outra, nem mesmo em alguns meses. Pode levar anos para que a transição seja feita. Para termos uma Igreja com propósitos, atravessaremos quatro fases críticas, que serão detalhadas abaixo:

  1. Definir os propósitos da Igreja (eles estão no Novo Testamento).
  2. Comunicar constantemente os propósitos a todos os membros da Igreja.
  3. Organizar nossa igreja de acordo com os propósitos.
  4. Aplicar os propósitos em todos os aspectos de nossa igreja.

Lembremos que a Igreja é de Cristo e não nossa. Ele fundou a Igreja, morreu por ela, enviou o seu Espírito Santo e um dia virá buscá-la. Como proprietário da Igreja, Ele já estabeleceu os seus propósitos. Não é nossa missão criar os propósitos da Igreja, mas sim, descobrir quais são eles. Vejamos agora cada um dos quatro passos seguintes mencionados. Precisamos ler a Bíblia e rever o que ela fala sobre a Igreja e tentar achar as respostas para as seguintes perguntas:

  1. Por que existe a Igreja?
  2. O que devemos ser como Igreja? (Quem e o que somos?)
  3. Qual é a nossa missão como Igreja? (O que Deus quer que façamos no mundo?)
  4. Como vamos fazer isto? Algumas passagens:

 

Definindo seus propósitos

1)   Liderando a definição dos propósitos:

  1. Atentar ao que a Bíblia diz: os seguintes textos bíblicos podem ser estudados:
  • Mt 5.13-16; 11.28-30; 16.15-19; 18.19-20; 22.36-40; 24.14; 25.34-40; 28.18-20.
  • Mc 10.43-45.
  • Lc 4.18-19; 4.43-45.
  • Jo 4.23; 10.14-18; 13.34-35; 20.21.
  • At 1.8; 2.41-47; 4.32-35; 5.42; 6.1-7.
  • Cartas de Paulo: Rm 12.1-18; 15.1-7; 1 Co 12.12-31; 2 Co 5.17; 6.1; Gl 5.13-15; 6.1-2; Ef 1.22-23; 2.19-22; 3.6, 14-21; 4.11-16; 5.23-24; Cl 1.24-28; 3.15-16; 1 Ts 1.3; 5.11.
  • Cartas pastorais: Hb 10.24-25; 13.7, 17; 1 Pe 2.9-10; 1 Jo 1.5-7; 4.7-21.

Nestes textos atente para o seguinte:

  • Observe o ministério de Cristo aqui na terra.
  • Atente às imagens que há nos nomes da Igreja.
  • Note os exemplos das igrejas no Novo Testamento.
  • Examine os mandamentos de Cristo.
  1. Buscar respostas para quatro perguntas:
  • Por que a igreja existe?
  • O que devemos ser como Igreja? (Quem e o que somos?)
  • Qual é a nossa missão como Igreja? (O que Deus quer que façamos no mundo?)
  • Como vamos fazer isto?
  1. Escrever cada uma das descobertas.
  2. Resumir as conclusões em uma frase.

2)   O que faz uma declaração de propósitos eficiente?

  1. É bíblica: ela expressa a doutrina da igreja do NT (nós não decidimos quais são os propósitos da igreja, apenas os “descobrimos” no Novo Testamento).
  2. É específica: deve ser simples e clara; não querer abordar todos os assuntos.
  3. É transferível: que seja fácil de memorizar.
  4. É mensurável: deve possibilitar que a igreja seja avaliada a partir da mesma.

3)   Duas grandes passagens:

  1. Mt 22.37-40: o grande mandamento.
  2. Mt 28.19-20: a grande comissão
  • Os dois textos resumem tudo o que a igreja deve ser e fazer.

4)   Os cinco grandes propósitos da igreja

Uma igreja com seus propósitos está comprometida com os cinco aspectos constantes no texto do grande mandamento e da grande comissão:

  1. Amar a Deus com todo o coração: adoração. Adorar a deus é o primeiro propósito da igreja! A igreja existe para adorar a Deus. Adorar vem antes de servir!
  2. Amar ao próximo como a si mesmo: ministério. A igreja existe para ministrar ao povo. Ministério é demonstrar o amor de Deus aos outros. Cada vez que tocamos alguém com amor estamos ministrando. A igreja deve ministrar a todos os tipos de necessidades: físicas, emocionais e espirituais! A igreja deve preparar os santos para a obra do ministério (Ef 4.12). [ver o livro: A hora e a vez dos leigos].
  3. Ir e fazer discípulos de Jesus: evangelismo. A igreja existe para comunicar a Palavra de Deus. Nossa missão é evangelizar o mundo (2 Co 5.20). A evangelização é tão importante que Jesus comissionou os discípulos em cinco vezes ocasiões: Mt 28.19-20; Mc 16.15; Lc 24.47-49; Jo 20.21; At 1.8.
  4. Batizar os que foram feitos discípulos: comunhão. O batismo introduz na comunhão e identifica o novo crente com o corpo de Cristo. Como crentes somos membros de um corpo; somos chamados a participar. Batismo é a visualização da integração no corpo de Cristo (Ed 2.19). [Lembremos que no início da igreja cristã o batismo acontecia após a confissão de fé, neste contexto que surgiu o Credo Apostólico, como credo batismal].
  5. Ensinar a obedecer: discipulado. A igreja existe para educar e edificar o povo de Deus. Em seu sentido literal Mt 28.19 que dizer: “indo, batizando e ensinado”. Estes três aspectos são os elementos essenciais no processo de formar discípulos de Jesus. Ensino e obediência estão intimamente ligados (Ef 4.12-13; Cl 1.28).

5)   Declarações de propósito.

  1. “Trazer pessoas para Jesus e torná-las membros  de sua família, desenvolver nelas  maturidade  de acordo com a semelhança de Cristo e equipá-las para seus  ministérios  na igreja e para a missão  de suas vidas no mundo, a fim de  glorificar  o nome de Deus” (Saddleback).
  2. “A Comunidade Evangélica Trindade de Ivoti, em resposta ao chamado bíblico, existe para glorificar a Deus, envolvendo pessoas pela evangelização integral através dos diversos ministérios, equipando-as para que, pelo poder do Espírito Santo, sejam transformadas em discípulos de Jesus, testemunhando até os confins da Terra” .

Comentário: A declaração da igreja de Saddleback, em primeiro lugar, está formulada em termos de resultados mensuráveis (medíveis) e não de atividades. Em segundo lugar, aponta para o encorajamento da participação dos membros. E, terceiro e mais importante, a declaração indica um processo. Os propósitos passam por um processo para alcançar seu objetivo. É importante concentrar-se no crescimento de pessoas, através de um processo. Este conceito de “processo” é o coração de uma igreja com propósito. Na igreja de Saddleback, o processo compreende quatro passos: trazer pessoas, edificá-las, treiná-las e enviá-las. As pessoas são trazidas como membros, são edificadas para a maturidade, são treinadas para o ministério e são enviadas para a missão, glorificando a Deus neste processo.

 

Comunicando seus propósitos

Os propósitos da igreja devem ser constante e regularmente difundidos. É possível difundí-los através do ensino das Escrituras, por meio de símbolos e slogans, por meio de histórias…

É necessário explicar com clareza e objetividade como se pretende alcançar os propósitos estabelecidos. Quanto mais objetiva for a visão da igreja, mais atenção e mais compromisso atrairá. Ao lado da objetividade é importante “personalizar” os propósitos (tornar os propósitos de cada crente).

 

Organizando seus propósitos

Para que a renovação seja duradoura numa igreja é necessário que ela tenha uma estrutura para nutrí-la e apoiá-la (exemplos: diferença entre Whitefield e Wesley, séc. XVIII). É insuficiente apenas comunicar a declaração de propósitos. A igreja deve ser organizada em função de seus propósitos. O equilíbrio nos propósitos é a chave para uma igreja sadia. Uma tendência natural é enfatizar mais um aspecto que outro. É muito comum encontrar igrejas que sejam extensão dos talentos e dons do pastor [isso é ruim]. A não ser que se desenvolva um  sistema  e uma  estrutura  para equilibrar os cinco propósitos, a igreja terá a tendência de enfatizar os propósitos que melhor expressam os dons e afinidades do pastor. Desta forma, surgem cinco tipos de igreja:

  1. A igreja que ganha almas.
  2. A igreja que desfruta de Deus.
  3. A igreja da reunião familiar.
  4. A igreja da sala de aula.
  5. A igreja da consciência social.

Paralelamente pode-se perceber que os cinco movimentos paraeclesiásticos (entidades e instituições que trabalham ao lado da igreja) mais importantes da atualidade seguem uma destas linhas. É verdade, os movimentos devem se especializar para produzir impacto. A igreja, contudo, precisa de todos os elementos para ser sadia. É muito simplista e incorreto pensar que um único fator é responsável pelo crescimento da igreja. O apóstolo Paulo, em 1 Co 12, ilustra que a igreja é o corpo de Cristo. Um corpo é composto de vários sistemas. Quando todos eles estão sincronizados dizemos que o corpo está saudável. Assim é com a igreja. Equilibrar os propósitos do NT traz saúde para o corpo de Cristo, a igreja. Falta de equilíbrio é doença.

Outro aspecto a ser observado são os círculos de compromisso existentes na igreja.  Os compromissos são aprofundados através de um processo de desenvolvimento de vidas. No seu ministério terreno Jesus estabeleceu diferentes círculos de compromisso, cada um conforme o nível de compreensão de cada um (Mt 11.28-29; Mc 12.34; Jo 1.19; Mc 8.34).

 

Aplicando seus propósitos

Aplicar os propósitos é parte mais difícil. Passar de uma declaração de propósito para as ações dirigidas por estes propósitos estabelecidos requer uma liderança que esteja totalmente comprometida com este processo. Isso leva tempo. É preciso muita paciência! São necessários: muita oração, planejamento, preparo e experimentar como vai funcionar. O importante é concentrar-se no progresso, não na perfeição. Existem dez maneiras de ser dirigido por propósitos:

1)  Conquistar novos membros com propósitos.  O caminho é começar de fora para dentro e não de dentro para fora. Isto quer dizer: começar o trabalho com os não-crentes, levá-los à fé, ensiná-los e capacitá-los para que assumam um ministério. O problema, quando se começa o trabalho com um “núcleo de crentes” é que este grupo acaba desenvolvendo uma comunhão tão fechada que acaba perdendo o contato com os não crentes. Por conseguinte, perde-se o ímpeto evangelizador e a comunidade deixa de crescer.

[Comentário: Aqui temos uma visão diferente. O método tradicional é começar com um núcleo compromissado de crentes maduros. Tenho percebido que na minha prática esta forma proposta de Warrem é mais eficiente].

2)  Desenvolver programas ao redor de propósitos. De acordo com o diagrama acima, cada círculo de compromisso corresponde a um propósito. Ao usar os cinco círculos de compromisso como uma estratégia para as atividades o público-alvo também vai estar identificado, assim como o objetivo. Sempre deve ficar bem claro qual o objetivo de cada programa. As atividades ou programas devem estar sempre à serviço dos propósitos estabelecidos.

3)  A capacitação do povo deve ter um propósito claro. É preciso ter bem claro onde ser quer chegar com os cursos e programas de capacitação. Existem basicamente quatro passos na capacitação:

  1. Primeiro: levar a pessoa à fé em Jesus e ajudá-la a ser membro da igreja;
  2. Segundo: ajudar o novo crente no crescimento espiritual;
  3. Terceiro: ajudar o crente a que encontre o seu ministério, conforme seus dons;
  4. Quarto: capacitar o crente a ganhar outros para Cristo.
  • Assim se completa o circuito. O objetivo da capacitação é transformar freqüentadores da igreja em missionários.

4)  Começar pequenos grupos com um propósito. Pode-se ter os mais diversos grupos com objetivos diferentes. Não é preciso e nem é bom que todos os grupos queira a mesma coisa. Neste diversidade reside a saúde.

5)  Contratar obreiros com um propósito específico. Cada pessoa tem algo que gosta mais de fazer e o faz melhor. É preciso que todo obreiro trabalhe naquilo que se sente vocacionado. As pessoas que sentem amor pelo que fazem têm mais motivação. Existem inúmeros ministérios na igreja. [Aqui é importante ver mais uma vez o livro: A hora e a vez dos leigos; outro material que vamos trabalhar neste ano aborda com detalhes este aspecto].

6)  Organizar a estrutura a partir dos propósitos. A estruturação do trabalho pode ser feita com base nos propósitos. Assim, podem ser criadas as mais diferentes equipes de trabalho, cada uma com um objetivo bem claro para alcançar um aspecto de algum dos propósitos.

7)  Pregar com um propósito claro. As pregações precisam atingir todos os cinco propósitos da igreja. É preciso planejar a pregação. Séries com temas específicos.

8)  Elaborar o orçamento baseado nos propósitos da igreja. A forma mais rápida de descobrir quais as prioridades de uma igreja é olhar o orçamento e o calendários de atividades. A forma como gastamos nosso tempo e dinheiro mostra o que é importante para nós.

9)  Organizar a agenda conforme os propósitos. É possível destinar dois meses por ano a cada um dos propósitos. Desta forma, a cada bimestre a igreja estará trabalhando com mais ênfase em dos propósitos. Se os propósitos não forem agendados eles não serão enfatizados!

10) Avaliar os propósitos. A avaliação é fundamental para que se possa corrigir os erros e distorções durante a caminhada. Sem avaliação não é possível corrigir a direção. Quanto mais membros entenderem e se comprometerem com os propósitos mais forte a igreja será.