Escola de Discípulos Lição 5 – O Batismo e os dons do Espírito Santo

Lição 5

A PROMESSA DO DERRAMAR DO ESPÍRITO

Desde o Antigo Testamento, vemos a promessa de Deus com relação a um derramar do Espírito Santo nos últimos dias sobre os homens de tal maneira que o sobrenatural seria liberado poderosamente sobre suas vidas (Jl 2:28,29; Ez 37:14) Essa promessa foi tema da pregação de João Batista (Mt 3:11,12) e foi confirmado por Jesus (At 1:8; Lc 24:49).

O CUMPRIMENTO DA PROMESSA

No dia de Pentecostes (Festa judaica em ação de graças pelos primeiros frutos da colheita) algumas semanas após a ascensão de Cristo, cumpriu-se a promessa. A partir de Pentecostes os crentes passaram a gozar do privilégio de ser cheios do Espírito Santo, como Deus prometera      (At 2:16; At 2:38,39). O batismo no Espírito Santo é uma experiência distinta do novo nascimento, quando o Consolador vem habitar no crente. No novo nascimento o crente recebe o Espírito Santo (Jo 20:21) mas no batismo ele é equipado para anunciar o Evangelho com uma experiência sobrenatural, distinta, que o reveste de poder. O livro de Atos é a principal fonte de ensino sobre o assunto, nele está o relato do dia de Pentecostes (At 2:1-13) o reavivamento em Samaria              (At 8:4-19) a experiência de Paulo (At 9:1-19); Cornélio e outros gentios (At 10:44-48 e        11:15-17); e os crentes de Éfeso (At 19:1-7). É importante afirmar que o espírito vem sobre os discípulos para proporcionar-lhes um revestimento espiritual de poder, mas não necessariamente muda o caráter e o torna mais santo. Por isso é possível que pessoas usadas sobrenaturalmente por Deus tenham uma vida duvidosa (Mt 7:22,23). A santidade é trabalhada gradualmente pelo Espírito e evidenciada pelos frutos (Gl 5:22,23) como resposta a uma série de fatores como vida de oração, quebrantamento, busca da palavra, submissão aos líderes, etc. Já o batismo no Espírito Santo libera instantaneamente sobre os crentes poder sobrenatural evidenciado pelos dons como resposta imediata a ministração ou especialmente a sua fé.

A EVIDÊNCIA DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

Cremos que a evidência física dessa experiência sobrenatural é o falar em línguas conforme o Espírito de Deus concede que falem (At 2:4; 10:44-46; 19:4-6). Não se trata da habilidade natural de ser poliglota, mas de uma manifestação de Deus. A pessoa que fala noutras línguas não sabe o que está falando, a não ser que haja alguém com o Dom de interpretação (I Co 14:13,14). Trata-se de uma promessa a todos os discípulos que tiverem fé para isto (Mc 16:17).

OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

A Bíblia distingue o “Dom do Espírito” (batismo no Espírito Santo) (Atos 2:38; 10:45)  dos “Dons do Espírito” (capacidades sobrenaturais de Deus na vida dos cristãos) (I Co 12:1-4). Através do texto de I Co 12:8-10 entendemos ser nove dons do Espírito, que podem ser subdivididos em três categorias:

Dons de revelação: (palavra de sabedoria, palavra de conhecimento e discernimento de espíritos);

Dons de inspiração: (variedades de línguas, interpretação de línguas e profecias);

Dons de operar poder: (dons de curar, operar milagres e fé). Vamos entender cada um deles:

1)- PALAVRA DE SABEDORIA: Trata-se de uma sabedoria especial vinda de Deus que sobrepuja a sabedoria humana (Lc 21:15), na verdade a Bíblia nos ensina a não depender exclusivamente  de nossa sabedoria humana (I Co 2:5; Lc 21:14) mas a buscar a sabedoria sobrenatural de Deus (Tg 1:5). Eis alguns exemplos dessa manifestação sobrenatural: Mt 22:15-22 (Jesus); I Rs 13:16-28 (Salomão); At 23:6-10 (Paulo); At 15:6-22 (Tiago).

2)- PALAVRA DE CONHECIMENTO: Trata-se de uma capacitação especial dada pelo Espírito Santo de Deus ao homem de receber algum detalhe ou conhecimento de fatos ou informações que naturalmente seria impossível conhecer. É como sonhos, visões, convicções interiores, sensações físicas, etc. Eis alguns exemplos: Gn 40:5-19 (José); II Rs 6:8-11 (Eliseu); Jo 1:47-50; 4:17-18;13:38 (Jesus); At 5:1-11 (Pedro).

3)- DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS: Envolve uma percepção capaz de distinguir espíritos, cuja preocupação é proteger-nos dos ataques de Satanás e de seus espíritos malignos (I Jo 4:1). Dá a habilidade de identificar a fonte de determinado fenômeno ou manifestação      (I Co 14:29). Exemplos bíblicos: Mt 16:22-23 (Jesus); At 16:16-18 (Paulo); Ne 6:10-12.

4)- DONS DE CURA: Não é a cura que qualquer crente ministra orando por um enfermo em obediência e fé (Mc 16:16-18). Os dons de cura (Plural) são capacidades sobrenaturais específicas, provavelmente de muitas formas e manifestações diferentes. O Dom caracteriza uma unção maior nesta área, manifestada de uma maneira constante na vida de alguém que serve a Deus. Exemplos bíblicos: Mt 12:15; 15:30 (Jesus); At 5:15-16 (Pedro); At 19:11-12 (Paulo).

5)- OPERAÇÃO DE MILAGRES: A operação de maravilhas começa quebrando leis da natureza, produzindo coisas espantosas para a glória de Deus, contrariam completamente as leis naturais. Veja os exemplos bíblicos: Ex 4:1-4; 7:20 (Moisés); II Reis 4:32-37 (Eliseu);            Mt 14:26; Mc 6:38-44 (Jesus).

6)- FÉ: Oração fervorosa, alegria extraordinária e coragem incomum acompanham o Dom da fé. Não se trata da fé salvífica, nem do fruto da fé (Gl 5:22) mas de uma capacitação especial para que alguém creia firmemente para coisas impossíveis. Não raro a pessoa libera uma palavra, determinando que aquilo aconteça. Eis alguns casos narrados na bíblia: Jo 11:11-14; 39:44; Mt 21:19 (Jesus); Js 10:12-14 (Josué); At 27:21-25 (Paulo).

7)- PROFECIA: É fazer declarações divinamente inspiradas, cumprindo o papel de porta voz de Deus sob a unção sobrenatural do Espírito Santo. Tem sido erroneamente confundida com o Dom de conhecimento. A Bíblia ensina que é dada para edificação, exortação e consolação (I Co 14:3) nunca para direção. Não deve ser desprezado (I Co 14:1) mas deve ser buscado como um dos mais desejáveis (At 15:32) Apesar disso devemos julgar as profecias (I Co 14:29), julgar a profecia e não o profeta; o texto bíblico deve ser o juiz de toda e qualquer profecia. Exemplos bíblicos: I Tm 4:1 (Paulo); I Sm 15:26-28 (Samuel); At 11:28 (Ágabo).

8)- VARIEDADE DE LÍNGUAS: É falar em uma língua desconhecida, seja ela de origem humana (At 2:4-12) ou espiritual (At 14:2). Orar em línguas é fundamental para a edificação pessoal  (I Co 14:4), porque é o Espírito Santo que ora através dos lábios humanos (Rm 8:26) em uma intercessão perfeita. Ver I Co 14:15; Ef 5:19.

9)- INTERPRETAÇÃO DE LÍNGUAS: Habilidade sobrenatural de compreender e expressar o sentido de uma mensagem em línguas estranhas. Note que é “interpretação” e não “tradução”. Aquele que opera neste Dom recebe o sentido de uma mensagem e não uma tradução literal de cada termo. Por isso muitas vezes uma palavra em línguas é interpretada com muitas palavras num idioma conhecido. Ver Dn 5:24-28

CUIDADOS NA OPERAÇÃO DOS DONS

Apesar de serem fundamentais na vida da Igreja, os dons espirituais precisam ser exercidos de maneira muito cautelosa e sob princípios bíblicos, especialmente os dons que envolvem revelação e transmissão de mensagens divinas. Erros e infantilidades nesta área tem feito terrível destruição na vida de muitos. O coração do homem é enganoso, portanto devemos exercer todo o zelo nesta área.

Julgando tudo pela Bíblia:  Todo o Dom, especialmente os que incluem revelação e interpretação e verbalização divina, deve ser usado sobre o crivo da Palavra de Deus (I Ts 5:20-21) O Espírito nunca revelará ou falará  algo que esteja em choque com as escrituras.

Operando sob cobertura: Grande parte dos problemas com uso inadequado ou plagiado de dons espirituais está na independência e soberba daqueles que os exercem. Há muitos “profetas” ou “videntes” que não submetem sua vida a ninguém, por isso deixam de ser confiáveis. O que a Palavra ensina é que os dons devem ser exercidos em público, no meio da Igreja, sob supervisão da liderança e de homens que tenham experiência e discernimento, para que  haja julgamento maduro de todas as coisas (I Co 14:29; I Jo 4:1).

Fechando as brechas do pecado: Os dons de Deus são perfeitos, mas homens que os operam não são. Por isso, muitas vezes há brechas por onde o engano entra e causa prejuízos. A maior das brechas é o pecado. Quando tentamos operar dons com áreas tenebrosas em nossas vidas, corremos um sério risco de enganar e ser enganado pelo inimigo ou pelo nosso próprio coração.

Os dons são dados a nós, mas não os alcançamos por nossos méritos. A vontade e a soberania de Deus determinam essa distribuição. Isso é demonstrado pelos verbos “dar”  (Rm 12:6;  Ef 4:11)  e  “por”  (I Co 12:28). A ninguém  cabe  o  senso  de  superioridade  ou inferioridade, pois cada membro é igualmente importante. Os dons não são talentos humanos e sim manifestações de Deus, toda a glória deve ser dEle.

Leitura sugerida:

Ei, Deus – Frank Foglio

Uma vida cheia do Espírito – Charles Finney

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